PP5KX
Daniel Kondlatsch — radioamador, desenvolvedor e entusiasta de infraestrutura de voz digital. Mantendo sistemas para a comunidade ham desde o norte de Santa Catarina.
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Sobre mim
Sou Daniel Kondlatsch, PP5KX — nascido em Rio Negro–PR, residente em Mafra–SC, bisneto de imigrantes alemães vindos da Boêmia em 1878. Desde os 12 anos me interesso por eletrônica; comecei desmontando tudo que chegava às mãos e terminei operando HF, voz digital e mantendo infraestrutura para a comunidade de radioamadores.
Comecei na faixa do cidadão com um CCE 40 canais, passei por um SuperStar instalado numa C-10 74, fiquei afastado do rádio por anos e retornei em 2019, quando obtive a licença e registrei o indicativo PU5KOD. Hoje opero como PP5KX após aprovação no exame de promoção para Classe B.
Em outubro de 2020 coloquei no ar o YSF 77777 BR-BRAZIL — o quinto reflector YSF brasileiro a ser registrado — que se tornou o reflector YSF mais movimentado do Brasil.
Meu nome é Daniel Kondlatsch, brasileiro, de nome tradicional e sobrenome incomum, bisneto de imigrantes alemães que aportaram no Brasil em 1878 vindos de Nordböhmen, região norte da Boêmia situado ao sul da Alemanha, nascido em Rio Negro–PR e residente em Mafra–SC, município situado ao norte do estado de Santa Catarina bem na divisa com o Paraná, 90 km ao sul da capital paranaense Curitiba. Até 1917 Mafra ainda não existia — o município foi criado após a Guerra do Contestado como resultado da redemarcação de território entre os estados de Paraná e Santa Catarina. O nome é homenagem ao jurista catarinense Conselheiro Mafra, que defendeu Santa Catarina contra o Paraná no referido conflito.
Desde moleque eu sempre tive muito interesse em equipamentos eletrônicos, transmissores, máquinas, motores e tudo mais que envolvesse mecânica, gastasse combustível, consumisse energia elétrica e fizesse barulho. No início dos anos 90, no auge dos meus 12 anos de idade, já era um experiente "desmontador de coisas". Lembro que via nas páginas dos gibis do Tio Patinhas as propagandas dos cursos por correspondência do Instituto Universal Brasileiro. Certo dia resolvi preencher um daqueles recortes e iniciar o curso de Eletrônica Básica, Radiotécnico, Áudio e Televisão — devorei o material e montei meu primeiro receptor AM. Foi ele que abriu as portas desse universo para mim.
Muitos fundamentos que aprendi são desse tempo: descobri o que são transistores, resistores, capacitores, aprendi como as coisas funcionam e acabei descobrindo que tinha o dom de executar soldas perfeitas ao montar placas de circuitos — o que no futuro me rendeu alguma vantagem ao entrar no mercado de trabalho. Na mesma época, meu pai trouxe para casa um Transceptor CCE 40 canais AM, ligado a uma plano terra fixada num poste de madeira nos fundos de casa. Como bom "fuçador", facilmente me entendi com aquilo tudo e naturalmente assumi o controle da estação. Ali comecei na faixa do cidadão usando o indicativo que meu pai havia registrado no Dentel, o PX5B6051 — naquele tempo sem internet a consulta ao dono do indicativo era praticamente impossível, fazendo com que eu o usasse por quase 10 anos.
Aquilo dava interferência até no telefone do vizinho — ver TV na redondeza era complicado, não tinha um que não reclamasse que estava me escutando nos mais variados dispositivos. Esse rádio por muito tempo foi meu professor: com ele conheci muita gente, incontáveis macanudos que tiveram muita calma e paciência para me ensinar de tudo um pouco. Hoje sou eu que tento retribuir.
Mais tarde montei uma estação na picape, uma Chevrolet C-10 1974: um SuperStar JA "cara preta" com mais funções do que eu conseguia usar, ligado a uma botina de 500 W e uma maria-mole que me proporcionavam contatos simplesmente impossíveis. Meu primeiro DX em AM foi com um cidadão de Cacoal–RO. Quando me mudei para Jaraguá do Sul–SC em 1998 para cursar Engenharia Mecânica, me apelidaram de "pescador" em alusão à maria-mole no para-choque — e acabei trazendo para a faixa alguns colegas de classe que se interessaram no hobby.
Me afastei do rádio no início dos anos 2000 quando o trabalho tomou conta do meu tempo. Em 2002 furtaram todo o equipamento da picape — depois disso nunca mais comprei nada, mas ficava namorando os lançamentos nos catálogos gringos que via na internet, imaginando se algum dia teria a oportunidade de continuar o que havia começado quando moleque.
Lamentavelmente, em novembro de 2016 minha esposa e eu sofremos um acidente automobilístico onde ambos fraturamos a coluna. Ficamos com lesão medular e uma série de problemas neurológicos — os piores são a neuropatia (dor persistente) e a incapacidade do corpo de regular a temperatura corretamente. Eu além disso ainda fiquei paraplégico. Passamos praticamente o dia todo em casa pois tornou-se impossível executar alguma atividade laboral adequadamente. Para ocupar melhor a cabeça e o tempo que agora tenho de sobra, resolvi operar no rádio novamente.
Depois de economizar, comprei um Yaesu VX-8DR — sonho de consumo que eu namorava desde o lançamento. Comprei todos os acessórios e usei até gastar o teclado(!). Considero até hoje um dos HTs analógicos mais completos e robustos do mercado. Foi com ele que tive o primeiro contato com o APRS, uma das minhas paixões e que hoje domino completamente. Como ainda não tinha a licença, marquei prova na Anatel em Curitiba e em meados de 2019 obtive a licença Classe C, registrando minha primeira estação como PU5KOD — KO de KOndlatsch e D de Daniel, escolhido por ser fácil de declinar nos QSOs.
No final de 2019 comprei um Yaesu FT-3DR e tive o primeiro contato com C4FM. Não tinha interlocutor até que vi num vídeo do YouTube um colega usando um JumboSpot. Comprei um para experimentar — mau eu sabia no que estava me metendo. Minha passagem como Analista de Sistemas me ajudou a entender rapidamente como tudo funciona, logo estava fazendo amigos nos modos digitais. Uma das coisas que gostei muito foi que com o hotspot em YSF e o cross-mode configurado adequadamente é possível operar em outras modalidades com muito mais facilidade do que usando um rádio da própria modalidade.
Em outubro de 2020, sem pretensão alguma, coloquei no ar o YSF 77777 – BR-BRAZIL — o quinto reflector YSF brasileiro a ser registrado. O objetivo inicial era ser um ponto de encontro com os amigos sem toda aquela formalidade comum, talvez por isso rapidamente reuniu adeptos e tornou-se o reflector YSF mais movimentado do Brasil. O dashboard está disponível em dvbr.net.
Também mantive ativa a sala #82758 dvAMERICA no System Fusion da Yaesu, que é reconhecida pela excelente qualidade de áudio — porém acabei desativando-a devido à baixa adesão pelo alto custo dos equipamentos. Vale registrar uma confusão comum: apesar de parecidos, o Fusion/Wires-X (sistema oficial Yaesu) não tem relação com o YSF, que é um modo não proprietário desenvolvido e mantido pelo radioamador alemão DG9VH – Kim Huebel (ysfreflector.de).
Em abril de 2023 mergulhei no D-Star, modalidade que sempre teve meu respeito pelo pioneirismo. Adquiri um ICOM ID-51A Plus 2 e ativei o reflector multiprotocolo XLXBRA — sem links com qualquer outra modalidade, seguindo os mesmos preceitos do YSF 77777. Em pouco tempo já tornou-se conhecido entre os adeptos. Possui os módulos A, B, C, D e E ativos — o módulo D é o principal. Acesse via REF (DPlus), XRF (DExtra), DCS ou XLX; o dashboard está em xlxbra.net.
Também mantenho um iGate/Digipeater APRS rodando o DireWolf v1.8, instalado num Raspberry Pi 0W com um Yaesu FT-2980R ligado a uma antena plano terra 3×5/8 num dos pontos mais altos da região — oferecendo cobertura de aproximadamente 100 km, área sem outras estações dessa natureza.
Outra iniciativa foi resgatar o Free Radio Network (FRN), sistema criado na Europa nos anos 90 usando VoIP para interligar repetidoras analógicas — predecessor de sistemas como Echolink, Zello e Peanut. Ativei o único servidor FRN das Américas, acessível em dvbr.net porta 10024 (aplicações em freeradionetwork.de). A qualidade de voz foi a maior surpresa: é a melhor que já ouvi dentre todos os modos DV que operei.
Estou viabilizando a primeira repetidora digital da região, em UHF híbrida nos modos YSF e D-Star, com dois transmissores Motorola PRO-5100 de 40 W — reconhecidos pela robustez. O projeto aguarda a finalização da obra do edifício onde será implantada.
Em HF, no início de 2021 adquiri um Yaesu FT-857D com a antena ATAS-120A (40 m a 70 cm). Implantei a estação no final de 2021 e fiquei impressionado com o alcance que uma estação montada sem grandes recursos consegue ter em FT8, FT4, FreeDV, ROSS e VarAC — é possível alcançar praticamente o mundo todo sem muito esforço.
Equipamentos atuais:
Essa é a minha trajetória. Desde o início estou aprendendo e cada vez mais compreendo como funciona esse universo. Se tem uma coisa que me dá satisfação é poder compartilhar todo esse conhecimento — informação que não é compartilhada não serve pra nada. Creio que afinal seja esse o real fundamento do hobby: experimentação, aprendizado e compartilhamento.
Nos encontramos pelas faixas! (ou não…)
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Ferramentas & Serviços
Recursos mantidos neste servidor, disponíveis para a comunidade de radioamadores.
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Ham Radio
Modos, tecnologias e sistemas que opero e mantenho.